sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O Que Nos Uniu? | Capítulo 1 | Patrão está dando de corno é?

Uma obra criada e escrita por:
ALLISSOM ANDRÉ 

[O QUE NOS UNIU?]
-- CAPÍTULO 1 - PATRÃO ESTÁ DANDO DE CORNO É? -

_________________________________________

CENA 1/Moradia Lacerda/Interior/Quarto/Dia/2006
Natália está deitada em sua cama, dentro do quarto de sua mãe adotiva, Camila. Está acompanhada de seu pai Xavier, que está sentado ao lado dela. Natália (curiosa, deitada): Eu sempre esperei por este dia, pai. Eu sempre quis saber mais sobre a minha mãe.
Xavier (sentado): Acredito que sua mãe sempre esperou por hoje também. Se prepara que agora você vai descobrir de onde veio. É uma longa história, vou contar o que eu sei e o que sua mãe me contou. Tudo começou lá atrás, quando....

LETREIRO: VINTE ANOS ATRÁS
CENA 2/Residência Montenegro/Interior/Sala/Tarde/1986
Música leve e calma, acompanhada de uma linda visão de uma avenida repleta de carros e pedestres. Em seguida uma visão de longe da residência Montenegro. Os dizeres: São Paulo, 1986. Larissa está sentada no sofá comendo pipoca e assistindo à televisão. Até quando de repente, seu marido entra pela porta reclamando. A música suaviza para a entrada de uma voz alta.
Graciano (com as mãos na cabeça, entrando na casa e falando alto): Eu não aguento mais aquele tipo de gente!
Larissa (colocando o saco de pipocas no sofá e se levantando): O que aconteceu meu amor?
Graciano (com as mãos na cabeça e falando alto): Esses vizinhos não prestam! Só fazem barulho, nem quando queremos dormir eles param!
Larissa (se sentando novamente no sofá): Calma Graciano, lá é a casa deles, fazem o que bem entenderem. 
Graciano (escorado na parede da casa): Mas nossas casas são grudadas umas nas outras, pensa!
Larissa (sentada): Acho melhor você ir tomar um banho e ir dormir, amanhã é outro dia. 
Graciano (pegando toalha na cadeira): Está bem, acho que é nervosismo mesmo. Ontem o dia no trabalho não foi muito bom, tomara que hoje seja melhor. Ah, você já ligou para Olívia?
Larissa (sentada, de pernas cruzadas): Sim, os móveis chegam semana que vem... ah, ela pediu para que você avisasse sua mãe de que ela quer encomendar salgados.
Graciano (com a toalha no ombro): Ótimo! Eu aviso a ela sobre.
O homem entrou no banheiro. Enquanto isso, Larissa voltou a assistir à televisão, mas um telefone, que estava do lado da moça, começa a tocar.
Larissa (com o telefone no ouvido, sussurrando): Alô? Quem é que está falando?
Joel (do outro lado da linha, deitado no chão): Alô Larissa, sou eu, Joel! 
Larissa (com o telefone no ouvido, sussurrando): Ah Joel, o que te faz ligar para mim à essa hora?
Joel (do outro lado da linha, deitado no chão): Nada não... é apenas uma grande saudade de ouvir sua voz, uma grande saudade de ter você aqui do meu lado.
Larissa (com o telefone no ouvido, sussurrando): Vou esperar o Graciano ir trabalhar. Ainda hoje eu dou as caras por aí.
Joel (do outro lado da linha, deitado no chão): Não desmarca, não me decepciona!
Larissa (com o telefone no ouvido, sussurrando): E lá eu sou mulher de desmarcar compromissos?! Agora eu preciso ir viu, daqui a pouco eu estou aí. Beijos!
Larissa encerra a ligação. Ao colocar o telefone no gancho, Graciano sai do banheiro, coberto pela toalha.
Graciano (com cara de assustado): Com quem a senhorita estava falando? Eu ouvi alguns sussurros.
Larissa: Só pode estar louco de vez, né amor? Eu apenas estava testando a linha, mas eu não falei nada.

CORTA PARA:
CENA 3/Casa do Joel/Interior/Sala/Noite
Joel está jogado no chão, olhando para céu. A campainha da casa do moço toca. Ele rapidamente se levanta e corre para atender a porta, trata-se de Larissa.
Joel (abrindo a porta, surpreso): Olha ela, toda arrumada!
Larissa: Não falei que viria?!
O que os dois não viram é que, Amanda está observando absolutamente tudo, escondida atrás de um fusca.
Amanda (escondida atrás do carro, com a mão na boca): Meu deus! Espere até o seu esposo descobrir que a senhorita anda se encontrando com Joel... (a mulher dá gargalhadas, imaginando a situação). Não vai dar resultado bom nisso viu?! Não é a primeira vez que a senhorita vem aqui não... ah não é! Mas essa é a última! A última! Eu estou sempre de olho! Toda santa vez que o homem sai para trabalhar você dá as caras por aqui. Ai se for o que estou pensando... acho que é verdade... acho não, tenho é certeza!
Larissa entra para dentro da casa.
Joel (fechando a porta): Sua palavra não é de duvidar. Eu sabia desde o início que viria. Agora venha jantar, preparei um rango delicioso!
Larissa (admirando a casa): Incrível! Você arrumou ela toda, para mim?! Te juro que nunca vi esse lugar tão arrumado assim. Ah, olha... tenho coisas importantes para falar para você.

ABERTURA DA WEB:





Joel (arrumando a mesa): E o que essas coisas seriam?
Larissa (colocando a sua bolsa na escrivaninha): São coisas que eu ainda não te contei, mas que eu queria falar há um tempão!
Joel (estranhando, se sentando): Sério que você está escondendo coisas de mim, mi amore?
Larissa (se sentando): Acho que você não vai gostar nadinha do que eu vou falar.
Joel (estranhando): Agora que você tocou no assunto, desembucha!
Larissa: Joel... não tem esse filho que estou esperando...?
Joel (estranhando): Sim... o filho de Graciano?!
Larissa: Então, na verdade... essa criança que eu estou esperando é sua filha. Joel, você é pai.
Joel se levanta rapidamente da mesa, assustado com a notícia. Ele coloca as mãos atrás da nuca, e começa a falar grosseiramente.
Joel (falando grosso, assustado): Não é primeiro de abril, Larissa! Só pode estar brincando!
Larissa (se levantando): Eu nunca falei tão sério em minha vida! Qual é Joel! Um filho sempre é uma benção.
Joel (falando grosso): Nem sempre, nem sempre! Eu bem que suspeitei.
Larissa (se levantando): Eu estava louca quando resolvi esconder isso de você. Mas eu me arrependi. Você precisa cuidar desta criança comigo! Você é o pai dela!
Joel se senta e tenta se acalmar, bebendo um copo de água. Larissa, que está atrás do sofá em que Joel está deitado, coloca suas mãos nos ombros do amante. Ele continua, só que agora, falando calmamente:
Joel: E quando a criança nascer?
Larissa: Graciano vai ter que criar comigo, mas você ainda será o pai!
Ao ouvir as palavras de Larissa, Joel não se aguenta e se estressa.
Joel (tirando as mãos dela dos ombros): Que pensamento de jerico! De que adianta ser o pai, se eu não poderei ver nem cuidar da criança? Essa história está muito mal contada! Vá embora agora e só volte aqui quando você resolver contar a verdade!
Larissa (chocada): É o quê? Essa é a mais pura verdade! Eu não esperava que você fosse tão grosso assim... não esperava que essa seria sua reação...! Volto quando estiver melhor.
Ela vai em direção à porta, mas para e olha para trás.
Joel: Por favor, faça-me o favor de não voltar.
Lágrimas começam a cair dos olhos da moça, que vai embora sem pensar duas vezes. Amanda ainda está atrás do carro.
Amanda (com sorriso maléfico): Espere até Graciano descobrir o que a senhorita anda aprontando... vamos ver se ele gosta de brincar com um par de chifres.

CORTA PARA:
CENA 4/Residência Montenegro/Interior/Cozinha/Tarde
O dia amanheceu na cidade São Carlos. Larissa está preparando o café da manhã. Do nada, Graciano chega fervendo de raiva, arrombando o portão da casa. Ao entrar, joga a mochila do trabalho no sofá. 

Graciano (gritando de raiva): Onde você está, sua quenga?

Larissa (da cozinha, falando alto): Está chamando quem de quenga, amor?

Graciano (da sala, procurando ela em todos os cantos, gritando): Amor nada sua desgraçada! Não me venha mais com essa!
Larissa (da cozinha, falando alto): Nossa homem, o que lhe fiz?
Graciano (dentro da cozinha, fervendo de raiva): Você nasceu!
Graciano encontra a sua esposa na cozinha da casa. Ele empurra Larissa contra parede, que cai no chão. 
Larissa (tentando se levantar, chorando): Você só pode estar louco! O que está acontecendo?
Graciano (chutando ela, furioso): Não se fala de santa Larissa! Traindo-me pelas costas, como pôde? Depois de anos casados!
Larissa (apavorada, chorando): Mas Graciano, eu...
Ele dá um murro no rosto dela, que começa a gritar.
Larissa (sentada no chão, chorando): Seu monstro! Você é um monstro! Nunca te amei Graciano, e tu sabes muito bem disso, nem esse bebê te ama!
Graciano (com lágrimas caindo dos seus olhos): Como pôde ficar todo esse tempo mentindo? Eu tenho é nojo de você!
Larissa (sentada no chão, chorando): Meu sonho sempre foi se casar com alguém que eu ame, e não um casamento arranjado... não sei onde foi que meu pai arrumou esse homem medíocre que estou olhando nesse momento.
Graciano (com lágrimas caindo dos seus olhos): Não bote Heitor nessa conversa! Ela é entre eu e você. Agradeça a ele, pois você queria se casar com um bandido.
Larissa (sentada no chão, chorando): Júlio não era um bandido... Bandido é você Graciano! Como tem coragem em bater uma mulher, agredi-la?! Seu monstro!
Graciano: Tem alguma lei que proíba de te bater? Não né?
Larissa (sentada no chão, chorando): Não, mas um dia vai ter. Ha! Olha para sua cara, acha isso bonito? Para um homem como você! Graciano, quando nós não temos o que queremos em casa, procuramos na rua. Eu queria saber como foi que soube disso tudo.
Graciano: Eu soube por outras bocas.
Larissa (sentada no chão): Eu quero saber como soube! Não estou entendo, isso está muito mal contado.
Graciano: Se isso está mal contado ou não, não vem ao caso. Agora eu quero que você levante e faça a minha comida. Estou com fome.
Ao ouvir as palavras do esposo, ela se levanta com toda a raiva que tem dentro do corpo e aponta o seu dedo para ele. 
Larissa (furiosa, apontando para o marido): Eu não sou um objeto seu! Eu não sou tua! Nem este bebê é! Por tanto, trate de fazer você mesmo essa comida!
Graciano dá um tapa no rosto de Larissa, que devolve o tapa só que mais forte ainda. 
Graciano (confuso): Sua piranha! Como assim esse bebê não é meu?
Larissa (furiosa, apontando para Graciano): Ele não é, nunca foi e nunca será!
Graciano (fervendo): Ah, é mesmo?
Larissa (furiosa): É! 
Graciano (fervendo de raiva): Pois então você trate de arrumar alguém para criar essa criança. Pode ser qualquer um, de preferência, um desconhecido. Pois eu não vou criar essa criança.
Larissa (furiosa): Pode até não criar a criança, mas eu crio! E crio nessa casa.
Graciano (fervendo de raiva): Nada de baixo de meu teto! Eu expulso os dois daqui dessa casa se for preciso. Ou melhor. Se não entregar o bebê eu mato ele e você junto!
Larissa (furiosa): Eu duvido!
Graciano (fervendo de raiva): Haha, você não quer ver eu fazer o trabalho, né? Você tem duas alternativas, se não aceitar nenhuma delas, é morte na certa. A primeira alternativa, é que você vai entregar essa criança na mesma hora que ela nascer para um desconhecido. A segunda alternativa, é que você vai entregar essa criança na mesma hora que ela nascer para um desconhecido.
Larissa: O quê? Como assim? As duas alternativas são as mesmas!
Graciano (fervendo de raiva): Você só tem ela para escolher, ah, tem a morte também. Você não me conhece muito bem, Larissa. Não conhece.
Larissa: Está bem Graciano. Eu aceito sua proposta, eu aceito.

CORTA PARA:
CENA 5/Vila Matias/Madrugada
Enquanto Larissa dorme, Graciano saiu de casa a procura de um de seus comparsas, Nonato, que por sinal estava esperando a visita do patrão. 

Graciano (escorado no capô do carro): Então cara, ela está grávida a algum tempo..., mas disso você já sabe.

Nonato (dentro do carro): Sei sim, sei sim!

Graciano (escorado no capô do carro): Mas este filho não é meu.
Nonato (abrindo a porta do carro e saindo): Eita, agora meu patrão está dando de corno é?
Graciano (virando para trás, falando com Nonato): Sem tempo para brincadeira sem graça, Nonato. Ela vai entregar o bebê dela a um desconhecido. Se por acaso, ela não fizer o combinado, você vai matar ela e o bebê.
Nonato: Como assim patrão?
Graciano: Ah sei lá, você que se vire, só quero ver a notícia da morte daquela desgraçada. Mas lembre-se, é só no caso dela não fazer o combinado. Mas eu lhe aviso se não ocorrer como planejado.
Nonato: Pode deixar patrão, eu e os moleques daremos um jeito nisso.

CENA 6/Residência Montenegro/Amanhecer do dia
Graciano retornou para sua casa. Ao entrar, ele toma um copo de café e vai em direção ao quarto. Ao entrar no local, ele tem uma surpresa. 
Graciano (falando alto, sorridente): Larissa, meu amor do fundo do meu coração, onde você está?
Ele corre em direção à cama deixando o café em cima de sua escrivaninha. Ao chegar na cama, ele empurra todos os lençóis e acaba descobrindo que a esposa não estava lá. 
Graciano (surpreso): O que você fez, Larissa? Não acredito que foi embora! Agora, vou tomar as medidas drásticas. Foi você quem pediu.




_____________________________________________


SERÁ QUE GRACIANO TERÁ CORAGEM DE MANDAR MATAR LARISSA? NÃO PERCA NO PRÓXIMO CAPÍTULO!

______________________________________________________

Nenhum comentário:

Postar um comentário